A prefeitura de São Paulo e a “ajuda” da Pirelli em Interlagos

Parceria busca atrair mais investidores para o autódromo, mas organização afirma não participar da concorrência na entrega do circuito à empresas privadas. O processo de privatização encontra várias críticas.

Um protocolo de intenções foi assinado pela Pirelli junto à prefeitura de São Paulo, visando ajudá-la a atrair novos investidores para o Autódromo de Interlagos, que será palco de mais uma corrida no dia 12 do próximo mês. A empresa busca alavancar as pesquisas tecnológicas do circuito, além de ajudar com seu know-how e maximizar a busca de investidores para o processo de privatização encabeçado pelo prefeito da cidade. A entrega do circuito vem sendo criticada por especialistas, os quais apontam que a venda não deveria acontecer e que os valores de leilão ditos por João Dória são impossíveis de serem atingidos.

A gigante Pirelli e o prefeito da cidade de São Paulo parecem estar com uma relação muito estreita. João Dória, que também é empresário, esteve em Milão, cidade sede da megaempresa italiana. Lá, o “gestor” teve reuniões com a fabricante de pneus e chegou a anunciar que ela participaria do leilão do Autódromo de Interlagos. Mas após encontro com o CEO da organização milanesa, ele corrigiu sua informação afirmando que a Pirelli só iria participar de forma indireta do processo, ajudando com seu know-how e buscando investidores internacionais.

eleições, ele anunciou que o circuito só gera prejuízos e que o seu leilão, junto com o do Anhembi, gerariam um ganho de aproximadamente 7 bilhões de reais. Personagens que fazem parte do automobilismo apontam que, na verdade, a pista que atualmente tem uma gestão municipal dá lucros, e que o valor de venda apontado por Dória é impossível de ser alcançado. No ano passado, Alcino Reis Rocha, então presidente da SPTuris, órgão responsável pelo autódromo, afirmou que o prefeito manipulou os números.

Segundo Rocha, a prefeitura não tem nenhum gasto com Interlagos, pois os custos de manutenção são pagos pela própria SPTuris, a partir das receitas obtidas com a locação do espaço para eventos e shows, além da corrida de F1. Em entrevista à Folha de SP, no ano passado, o então presidente afirmou que a privatização “não geraria economia porque a prefeitura já não gasta com isso”. O valor estimado da manutenção autódromo é de 8 milhões por ano, número que, segundo Flávio Gomes, experiente jornalista automobilístico, “não é prejuízo, é custo”

Em 2014, o órgão anunciou que a corrida movimentou cerca de 260 milhões de reais na capital paulista, além de um lucro direto anual estimado em 6 milhões só para a prefeitura, que é acionária majoritária da SPTuris. O Anhembi, por sua vez, gerou um lucro de 18.7 milhões de reais no ano passado, e em 2015 o número chegou a mais de 59 milhões. Juntos, Anhembi e Interlagos geraram um lucro estimado de R$ 25 milhões em 2016, um valor considerável que entrou nos cofres da prefeitura. Mas a grande questão é: qual a empresa que pagaria 7 bilhões pelas duas, já que o dinheiro investido só seria recuperado em cerca de 280 anos?

Dória dá sequência ao seu plano de privatização do autódromo

municipal após uma desapropriação, que ocorreu em 50 devido ao plano da empresa de transformar o autódromo em um bairro planejado. Na época, o automobilismo já era uma realidade, sendo um fator importante para a economia e a vida São Paulo. A chegada da Formula 1 na capital paulista ocorreu em 72, passou alguns anos no Rio de Janeiro, para retornar em 1990. Desde então, a corrida é o evento mais importante no calendário da cidade, principalmente quando se fala em geração de impostos.

Não se sabe ao certo quem seriam os personagens interessados na compra de Interlagos, mas é possível ver que seus números chamam atenção. A Pirelli, apesar de ter afirmado afirmou que a possibilidade de ser dona do autódromo não faz parte do seu “core business”, quer se manter por perto da prefeitura e sua pista. A única coisa apontada como certa é que, caso seja leiloado, o famoso autódromo brasileiro não será manejado por entidades nacionais, pois como o próprio Dória afirmou, a ajuda da organização italiana visa a atração de investidores internacionais.

Caso a aposentadoria de Felipe Massa se confirme antes da etapa brasileira, o GP de Interlagos deve ter um sucesso ainda maior em termos de público. A corrida ocorre no próximo dia 12 de novembro, às 14h.

 

Fonte: Portal Race