EXCLUSIVO: Felipe Nasr quebra o silêncio

Uma das perguntas mais feitas nos últimos tempos na internet entre os fãs de Fórmula 1 era sobre o destino de Felipe Nasr. Fora da maior categoria do automobilismo nesta temporada, o brasileiro preferiu ficar em silêncio. Não dava uma entrevista desde o GP de Abu Dhabi do ano passado. Enquanto isso, negociava o futuro de sua carreira. Eis que o brasiliense decidiu quebrar ao silêncio. Em entrevista ao meu amigo Marcelo Courrege, que vai embarcar para a Rússia para ser correspondente da TV Globo até a Copa, ele conta um pouco desses meses e fala o que espera da carreira. Imperdível!

por Marcelo Courrege

 

A última vez em que estive com o Felipe Nasr foi no dia 27 de Novembro de 2016, em Abu Dhabi. Eu imerso nas obrigações da minha última corrida como repórter da F1. O Felipe também dedicado ao trabalho. Determinado a conquistar outros pontos para a Sauber, contra tudo e contra todas as equipes. Todas mesmo. Duas semanas antes, o brasileiro tinha feito os únicos dois pontos do time suíço na temporada, num improvável nono lugar naquele aguaceiro inesquecível em Interlagos.

Os pontos de Abu Dhabi não vieram. A temporada terminou. A política (da equipe!) e a economia (do Brasil, no caso…) tiraram o Felipe Nasr da Sauber. A Manor faliu. Os meses se passaram. As vagas de pilotos titulares e reservas da F1 acabaram. O Mundial de 2017 começou. O Felipe preferiu o silêncio. Respeitei.

Até que nos treinos livres do GP do Bahrein, meu amigo Sérgio Maurício, administrando as milhares de mensagens na #F1noSporTV, desabafou: “Felipe Nasr, você precisa falar com os seus fãs sobre o seu futuro. Não param de perguntar aqui!”. Concordei no ato! Principalmente, porque recebi centenas de mensagens parecidas nos últimos meses. Então, no dia 17, mandei um WhatsApp pedindo uma entrevista. Exatamente uma semana depois ele me respondeu. Tinha escrito um texto sobre os meses sumido (o texto do Felipe na íntegra está no fim do post). Mas também responderia às minhas perguntas, como sempre fez nos quatro anos em que convivemos no paddock.

Em meia hora de papo pelo telefone, Felipe Nasr falou sobre os novos carros da F1 e sobre a adaptação dos pilotos mais jovens a eles. Mostrou preocupação com o preparo físico exigido pra guiar esses carros “ganhei quase três quilos de massa magra.” O piloto brasileiro também mapeou as possibilidades em outras categorias do automobilismo, mas deixou claro que tem “um desejo enorme de voltar pra F1, de conquistar grandes coisas na F1.”

VOANDO BAIXO: O que você pode dizer a esses fãs que mantêm o interesse pela sua carreira, mesmo contigo fora da F1?

Felipe Nasr: Desde a minha última participação na F1, eu nunca deixei de acompanhar a categoria, tudo o que vem acontecendo. Primeiramente, falando sobre as mudanças: quase todas foram positivas. Conversei com alguns pilotos e fiquei feliz de saber que o carro é mais desafiador, mais rápido, o que todo muito queria. Esse interesse e o carinho dos fãs me deixaram muito feliz. Como profissional, eu não parei em nenhum momento. Consegui atingir o meu objetivo nos treinos que tenho feito. Se eu tivesse que assumir um carro amanhã, eu estaria pronto, porque ganhei quase três quilos de massa magra, de músculo, o que é fundamental pra essas novas regras da F1. Lógico que, quando o assunto é F1, eu ainda tenho vontade, esperança. Eu acho que em 2018 eu tenho aí portas abertas que podem ser trabalhadas. Tudo depende também da nossa situação atual no país, que é delicada, mas eu não queria desanimar nenhuma das pessoas que torcem por mim e me acompanham. Como piloto, óbvio que o meu sonho é estar na F1, ser campeão da F1.

Qual a possibilidade de você fazer um teste com esse novo carro da F1 ainda neste ano?

Na verdade, as possibilidades de pilotar um carro de F1 neste ano existem, porém as chances são poucas. Porque se você olhar a maioria das grandes equipes, e as medianas, elas já têm terceiros pilotos sob contrato. Isso deveria ter sido programado desde o ano passado. Mas com todo aquele tumulto (a negociação pra ser titular da Force India e o fim da relação com a Sauber) realmente o timing pra conseguir uma vaga de piloto reserva não foi favorável. Agora, nada disso me impede de conseguir uma vaga de piloto titular em 2018.

Você teve alguma proposta pra ser piloto reserva da F1 neste ano?

Sim, algumas. Mas é uma negociação complicada, que envolve também acordos comerciais. Estou atrás de empresas privadas no Brasil e lá fora também. Devo viajar no próximo mês com esse objetivo.

A gente tem visto um sofrimento grande dos pilotos mais jovens no processo de adaptação ao novo carro da F1. O Lance Stroll, por exemplo, fez um salto de um carro de F3 com pouco mais de 300 cavalos de potência para um F1 com quase 1000 cavalos. O que os pilotos têm dito a você sobre esses novos carros da F1?

Estive presente, bem rapidamente, nos treinos de Barcelona, e todos os pilotos com quem eu falei me passaram uma impressão muito parecida. De que o carro tem mais aderência, o carro é muito mais difícil de guiar no limite, então, acaba sendo até arisco, varia muito conforme as condições climáticas, mas tudo de uma forma bem positiva. Um carro mais gostoso de se guiar. São muito mais rápidos! Velocidades em curva mais altas, as velocidades mínimas aumentaram… E a questão física também ficou mais importante. Todos os pilotos trabalharam muito a parte física no inverno. E com certeza pra molecada chegando agora é um carro mais desafiador. Eu diria que há dois anos era muito mais fácil se adaptar à F1.

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